domingo, 15 de maio de 2016

TERROR

("Beware of darkness.")





Certa vez, passeando pela Livraria Saraiva, reparei que os filmes de JESS FRANCO, cineasta cult espanhol, diretor de filmes de terror B, estavam em promoção por um preço bem abaixo do normal. Comprei sete.

Os filmes do subgênero terror B, acreditem, possuem seu público fiel. São filmes recheados de sexo, violência, atores sofríveis, produção barata, história simples, e nos atraem como ímã. Só os mistérios da mente para explicar. Puro divertimento. Legítimo guilty pleasure.

Muitos desses exemplares, no entanto, são cinema de qualidade. Jess Franco (ou Jesús Franco, seu nome verdadeiro), falecido em 2013, faz parte de uma linhagem de diretores que inclui o brasileiro José Mojica Marins (Zé do Caixão), os italianos Mario Bava e Dario Argento, os americanos George Romero, Wes Craven, John Carpenter, Sam Raimi e Rob Zombie, do ótimo Rejeitados pelo Diabo, entre outros profissionais. São cineastas que se consagraram dirigindo filmes de terror de baixo orçamento e alta criatividade.

As produções de Jess Franco são dignas desse grupo. Nunca descambam para o grotesco, para o jorro de sangue gratuito. Existe sempre um movimento elegante de câmera, certa poesia marginal, alguma discussão metafísica, algumas histórias interessantes, tudo misturado com os clichês do gênero, tornando seus filmes quase cultuados. Entre os mais de duzentos que dirigiu podemos citar Oásis dos Zumbis, As Amantes do Dr. Jekyll, A Virgem e os Mortos, A Maldição da Vampira, O Massacre das Barbys, entre outros.

Mas afinal, por que gostamos tanto de filmes de terror? Provavelmente pelo fascínio do misterioso e desconhecido; talvez pela identificação com o nosso dark side,  aquelas coisas que não ousamos pensar em voz alta; certamente por existir um forte elo entre terror, psicologia e sexo. Como resistir a tais apelos?

Impossível não se deixar seduzir por grandes filmes como O Iluminado, O Bebê de Rosemary, Os Inocentes, filme inglês de 1961, Os Pássaros e Psicose, de Hitchcock, O Exorcista, Drácula de Bram Stoker, os monstros da Universal (Frankenstein, A Noiva de Frankenstein, Drácula, O Lobisomem, O Monstro da Lagoa Negra, A Múmia, O Homem Invisível, O Fantasma da Ópera). Séries como American Horror Story (a melhor), The Walking Dead, True Blood. Os livros de Stephen King, Edgar Allan Poe, Henry James. Muitas opções para flertarmos com as trevas.

De Jess Franco a Alfred Hitchcock, os filmes de terror mexem com nosso imaginário, com nossos medos mais recônditos.

Como dizia George Harrison: Beware of darkness






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