segunda-feira, 28 de março de 2016
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016
WHISKY E DESEJO
(“É o que Gino Marzzone bebe. Scotch. Glenlivet.”)

Existe
um complemento perfeito para nossas sessões de home cinema: o whisky. A melhor
bebida do mundo. Quem gosta sabe que não exagero.
Vivemos
tempos em que a ditadura de dietas da moda nos priva de pequenos prazeres e até
do convívio social. Pequenos prazeres como comer e beber bem. Acredito que com
moderação, aliada a hábitos saudáveis e alimentação balanceada, não precisamos
nos privar de nada. Podemos priorizar a satisfação e o prazer (com moderação,
bem entendido) ao invés da obsessão neurótica pela saúde perfeita, que por
sinal não existe.
Assim,
me sinto à vontade para fazer a apologia desta bebida que podemos chamar de
Néctar dos Deuses. O whisky, este líquido que aquece a garganta e preenche
nosso paladar de evocações de tabernas, carvalho, malte e uma gama de notas
sofisticadas e viris. Há momentos no nosso cotidiano em que o sabor deste
bálsamo nos reapruma, reconforta, relaxa ou simplesmente valoriza alguma
comemoração ou programa. Apreciar um bom whisky é um prazer indescritível!
Passei a me interessar por conhecer melhor esta nobre bebida. Encontrei um livro na Saraiva, certa vez: 100 WHISKIES DE SEMPRE. Folheava-o cada vez que ia lá mas não comprava. Esperava baixar o preço, o que nunca acontecia. Até que certa vez não o encontrei mais. Era o único exemplar! Perdi o livro!! Nem na internet encontrava! Esgotou-se!! Fiquei me enrolando, enrolando, e perdi o objeto do meu desejo! Mas não é que alguns meses depois, passeando em São Paulo, numa livraria dentro do Shopping JK, encontro o sonhado exemplar? O preço era bem salgado. Minha mulher teve que intervir ("Não deve estar esgotado! Este preço é muito caro!") e a contragosto não comprei, quando já estava a caminho do caixa. God!! Era minha chance!! Nunca mais! Mas a história não termina por aqui. Um mês depois, já em Porto Alegre, na Fnac...encontro o livro novamente! Por um quarto do valor em São Paulo. Não estou dizendo que as mulheres são mais espertas? Final feliz, hoje o sofrido exemplar enfeita minha sala de estar.
Existem outros bons livros sobre whiskies no mercado, alguns em inglês, mas este 100 Whiskies de Sempre traz matérias sobre as marcas mais conhecidas por nós, brasileiros. O original é espanhol, sendo esta versão em português lançada pela Editorial Estampa, de Lisboa.
Os whiskies dividem-se de maneira mais simples em: Single Malt (obtido através da cevada maltada e produzido por uma única destilaria); Single Grain ou whiskies de cereais (cevada mais a adição de algum outro tipo de cereal como milho, trigo ou centeio, uma destilaria); e o Blended (um ou mais Single Malts, com um ou mais Single Grains).
São
basicamente os Blended que encontramos no nosso mercado importador. Meus favoritos são dois: THE FAMOUS
GROUSE e o CUTTY SARK.
The Famous Grouse é um whisky saborosíssimo. De acordo com o livro “suaves e equilibrados, os maltes das Highlands imprimem-lhe uma certa corpulência, todavia temperada pelos whiskies de cereais que lhe conferem fluidez e leveza”. É o blended mais vendido na Escócia.
O Cutty Sark é outro excelente whisky. “Este é envelhecido em cascos que serviram anteriormente para xerez, e daí as leves notas de baunilha que é possível reconhecer na degustação." O Cutty Sark foi criado em 1923, na Escócia, para satisfazer o paladar do mercado americano, que prefere os scotchs mais ligeiros. Com o advento da Lei Seca, Francis Berry, um dos criadores da marca, continuou a fazer chegar clandestinamente, das Bahamas, grandes quantidades de whiskies ao solo americano, graças ao trabalho incansável do Capitão William McCoy. The real McCoy acabou virando uma expressão que autenticava a qualidade de um bom scotch. William McCoy transformou-se numa lenda, com seus carregamentos de rum e whisky, inovando com uma rede de barcos menores que encontravam seu navio fora das águas dos EUA e levavam os suprimentos para os speakeasis, os bares underground que serviam as bebidas ilegais. O Cutty Sark beneficiou-se dessa transgressão e ainda hoje, pela sua qualidade e história, é um scotch muito popular nos Estados Unidos.
Sou obrigado a citar um terceiro whisky, o single malt THE GLENLIVET. “Harmonioso na boca, de corpo firme e simultaneamente aveludado, o single malt produzido na destilaria de Glenlivet oferece ao paladar aromas de mel e de frutos (pêssego)." É possível encontrá-lo nos free shops.
A
razão de citá-lo neste post deve-se à sua qualidade excepcional e por ser um
personagem decisivo em um excelente filme de suspense, LIGADAS PELO DESEJO (Bound). Primeiro filme dirigido pelos Irmãos
Wachowski, de 1996, antes do sucesso de Matrix. Um policial noir envolvendo
gangsters, bebidas e mulheres fatais. Duas garotas que se apaixonam, Violet
(Jennifer Tilly) e Corky (Gina Gershon), planejam um golpe contra a máfia, para roubar US$ 2 milhões que estão com Ceasar (Joe Pantoliano), namorado de
Violet. Em momento chave da trama, de acordo com o plano que elaboraram, Violet
deve fingir que quebrou acidentalmente uma garrafa de Glenlivet, o único scotch
que o chefão Gino Marzzone bebe. Assim, terá que sair do apartamento apressadamente
para comprar outro Glenlivet, uma vez que Ceasar está esperando a chegada de
Gino Marzzone para entregar-lhe o tal dinheiro. Esse artifício dará chance para
Corky entrar escondida na residência, pela porta aberta por Violet e enquanto
Ceasar está no banho, e roubar os milhões da maleta do capanga da máfia. Só que
o plano não sai exatamente como esperado e Ceasar revela-se como o único
adversário à altura da dupla de amantes golpistas. Um filme que se espalha por
vários gêneros, sexy, inteligente, requintado, cheio de estilo, tensão, humor
pontual, bela fotografia, e com suspense do início ao fim, Bound é um
thriller de tirar o fôlego e um dos melhores a que já assisti.
Assistam a Bound acompanhados pelo seu whisky favorito. Bom divertimento.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016
MURDER
(“Incrível como é fácil reconhecer duas pessoas apaixonadas.”)
Notamos
na produção de Hollywood, há alguns anos, um excesso de refilmagens e sequências.
Mas conseguimos nos lembrar de uma refilmagem tão boa quanto o original? Ou
ainda, de qualquer uma que seja considerada um bom filme? Precisamos puxar pela
memória. Mas uma das exceções certamente é digna de menção. UM CRIME PERFEITO (A Perfect Murder),
de 1998, refilmagem de DISQUE M PARA
MATAR (Dial M for Murder), de 1954, do mestre Alfred Hitchcock.
Ambos
os filmes apresentam em seus créditos a peça na qual são baseados, Dial M for
Murder, de Frederick Knott. No filme de Hitchcock, Knott é também o autor do
roteiro. Hitchcock dizia que se você compra uma peça de sucesso não deve
desenvolvê-la. Deve apenas filmá-la. Mas à maneira que ele faria, devemos
acrescentar. Isso explica o formato da obra, uma peça teatral filmada, mas de
maneira brilhante, com a câmera exatamente no lugar certo em cada momento da
ação. Noventa por cento das tomadas foram no cenário de um apartamento, mas nem
por isso é menos interessante ou com menos suspense. Pelo contrário. Embora
esse filme não esteja entre os mais lembrados e valorizados de Hitchcock, como Psicose, Os Pássaros, Um Corpo que Cai, Janela Indiscreta, Festim
Diabólico e Intriga Internacional, podemos dizer que Disque M Para Matar está no segundo bloco de grandes filmes do mestre, como Trama Diabólica, Frenesi, Rebecca, O Homem que Sabia Demais, Interlúdio, A Sombra de
Uma Dúvida, O Homem Errado, entre outros.
Temos,
em Disque M Para Matar e Um Crime Perfeito, um grande
vilão, respectivamente Ray Milland e Michael Douglas; as belas esposas loiras em ótimas
interpretações, frágeis e ao mesmo tempo feras quando acuadas, Grace Kelly e Gwyneth
Paltrow; dois chefes de polícia, John Williams, ator inglês e um dos preferidos
de Hitch, com maior participação na trama, e David Suchet; mais o amante e o
assassino. No filme de Hitchcock o criminoso que sobrevive de golpes em mulheres é Anthony Dawson e o namorado que
completa o triângulo amoroso é Robert Cummings. Em Um Crime Perfeito,
dirigido por Andrew Davis, Viggo Mortensen é uma combinação do amante e do
assassino golpista. Tanto Ray Milland como Michael Douglas comentam em certo
momento, acerca do casal infiel, com um ar de ameaça sutil e sarcasmo: "Incrível como é fácil reconhecer duas
pessoas apaixonadas".
Disque
M Para Matar é um suspense ambientado em Londres, filmado com uma elegância
própria do Reino Unido, com a classe dos principais atores comandando o
espetáculo, principalmente Ray Milland e John Williams. Podemos destacar duas
cenas, entre várias admiráveis: uma que entrou para a história do cinema; outra
que ilustra a elegância do filme, ambas decisivas na estória.
A
cena em que Grace Kelly está prestes a ser atacada, após Ray Milland discar “M
for murder”, e depois debate-se por sua vida até encontrar a tesoura afiada, é
antológica e de um suspense bem maior que a da refilmagem.
A
outra cena destaca a classe do filme e o charme de uma época que já não existe,
quando as pessoas convidavam os amigos para “tomar um drink lá em casa”. Ao
final do filme, Ray Milland volta ao apartamento onde tudo acontece e consegue
abrir a porta com a chave que estava escondida sob o tapete, na escada do
prédio. Ao entrar, sua expressão de alívio, mas um tanto intrigada, é
substituída pela surpresa ao encontrar, de um lado, Grace Kelly e o amante, e
do outro, o inspetor de polícia atrás da escrivaninha. Dá meia volta e tenta
fugir pela porta que entrou, mas um policial no corredor lhe barra a saída.
Fica alguns segundos paralisado e se dá conta que não adianta mais, foi
desmascarado, está tudo perdido. Recompõe-se e dirige-se ao inspetor: "Parabéns, inspetor", e coloca a chave,
prova do crime, sobre a mesa. Pega a garrafa de scotch e, dirigindo-se ao bar,
serve-se de uma dose de Red Label. Pergunta a Grace Kelly:
-
Aceita, Margot?
-
É, acho que um pouco me faria bem – responde ela com lágrimas discretas.
-
Mark?
-
Pra mim também.
-
Suponho que ainda esteja em horário de expediente, inspetor.
Este
está ao telefone chamando os colegas policiais.
Assim
termina o filme, com todos bebendo juntos.
Em Um Crime Perfeito, o diretor Andrew Davis optou por um outro conceito. A
estória é desenvolvida como um policial noir, com uma bela fotografia em tons
sépia. Um thriller clássico onde o suspense e a movimentação do roteiro nunca
perdem o pique. Alguns o consideram melhor que o original, o que pode soar como
uma heresia, afinal Disque M Para Matar é considerado uma obra-prima. O fato
é que o filme de Andrew Davis, um dos melhores policiais da década de noventa,
honra a versão de Hitchcock.
Todos
os atores oferecem ótimas interpretações. Michael Douglas, carismático como
sempre, principal figura do filme, faz um vilão calculista e maldoso, ao
contrário de Ray Milland, também calculista mas um gentleman. Gwyneth Paltrow é
a mocinha ingênua, que nessa versão, ao contrário de Grace Kelly, não tem um
mocinho para defendê-la e precisa se virar sozinha. Viggo Mortensen é o amante
golpista, que gosta realmente de Gwyneth, mas acaba cedendo à sua natureza
criminosa. Os desdobramentos desse triângulo amoroso (envolvendo crimes) é
cinema de qualidade.
Ambos
os filmes nos proporcionam uma excelente sessão dupla sobre o tema assassinato.
Sarita Choudhury, conversando com Gwyneth, nos explica essa natureza:
-
Traição é a segunda razão mais antiga para se matar alguém.
-
É mesmo? E qual seria a primeira?
-
Money, honey.
sábado, 23 de janeiro de 2016
AMAR FOI MINHA RUÍNA
(“Dos sete pecados capitais, o ciúme é o mais perigoso.”)
Um
dos mais importantes e interessantes melodramas da história do cinema, também reconhecido como um clássico noir, é AMAR FOI MINHA RUÍNA (Leave Her to Heaven),
de 1945. Com Gene Tierney, Cornel Wilde, Jeanne Crain e Vincent Price. Do
diretor John M. Stahl.
Gene
Tierney foi uma atriz de uma beleza em grau superlativo. No entanto, teve uma
vida difícil e atribulada. Entre seus principais filmes estão Amar Foi Minha
Ruína, Laura, de Otto Preminger, O Fio da Navalha, de Edmund Goulding e A
Vingança de Frank James, de Fritz Lang.
Amar
Foi Minha Ruína é daqueles filmes que prendem nossa atenção e depois ficam em
nossa cabeça por um bom tempo. Ficamos com a impressão de ser um dos melhores
que já vimos. O que é verdade. É um filme sobre a beleza de Gene Tierney, tão
resplandecente que às vezes parecia uma boneca de porcelana, e o contraste com o ciúme doentio e amor possessivo de sua personagem. Dizem que o diabo
sempre aparece numa versão sedutora. Ellen Berent, personagem de Tierney, prova
a verdade da expressão popular.
Essa
estória é contada através de uma belíssima fotografia em cores vencedora do
Oscar, acompanhada pelas belas paisagens do Maine e Novo México. A atuação de Gene
Tierney e a caprichada direção de arte também foram indicadas para o prêmio da
Academia.
Richard
“Dick” Harlan (Cornel Wilde, um tanto quanto canastrão) passou dois anos na
prisão e é recebido pelo amigo advogado Glen Robie (Ray Collins), quando
regressa a Deer Lake, Maine, onde possui um chalé chamado Back of the Moon, à
beira de um lago em formato de lua crescente. Ao desembarcar da pequena lancha, no
trapiche do povoado, as pessoas ao redor não conseguem disfarçar olhares de
pena. Após Dick afastar-se em um bote na direção de sua morada, Glen relata a
um amigo o que levou aquele homem a tal situação e a história entre Dick e
Ellen (Gene Tierney) é contada em flashback. "Dos sete pecados capitais, o ciúme é o mais perigoso", assim
inicia Glen sua narrativa. "Eles se
conheceram por meu intermédio."
O
primeiro contato aconteceu no trem, sem saberem que estavam indo para o mesmo
destino. Ocorreu um jogo de sedução recíproco. Ele completamente fisgado por
aquela beleza irresistível; ela, impressionada pela semelhança que aquele
estranho tinha com seu falecido pai, com o qual era muito ligada.
Despediram-se
e ela desceu no povoado de Jacinto. Ele se deu conta que também era o seu ponto
final e desceu logo após. Glen Robie é um amigo em comum da família Berent e de
Richard Harlan. Estava recepcionando, na estação ferroviária, a viúva Berent e as
belas filhas Ruth (Jeanne Crain) e Ellen. Richard aproximou-se, surpreso por
reencontrar Ellen, e Glen fez as apresentações. "Nós nos conhecemos no trem. Brevemente", comentou Ellen. "Muito brevemente", respondeu Dick. Mal
sabia ele que estava escolhendo a irmã errada. Mas seria impossível ignorar a
beleza e charme da garota que encontrara no trem.
Glen
Robie explica para seu amigo que convidara Richard, escritor, para descansar no
seu rancho no Novo México, já que esse estava trabalhando em mais um livro. As
Berents, amigas da família, também convidadas, lá estavam porque iriam realizar
uma pequena cerimônia. As cinzas do pai falecido seriam espalhadas no alto de
uma montanha, num platô que era seu lugar favorito e onde ia muito com a filha
Ellen.
Ellen
era noiva de um promotor ambicioso, Russell Quinton (Vincent Price). Mas essa
circunstância não foi suficiente, nesses dias de convivência naquele ambiente
bucólico, para impedir que florescesse o romance entre ela e Dick e anunciassem
seu casamento ainda no Rancho Jacinto.
Quando
o casal se mudou para o chalé de Dick, no Maine, o amor possessivo de Ellen
começou a manifestar-se agressivamente, provocado pela presença do irmão pré-adolescente
de Dick, Danny (Darryl Hickman), vítima de paralisia, que morava com eles, bem como pela presença do
caseiro e até de sua própria família quando apareceu para visitá-los. Qualquer
um que pudesse se interpor entre ela e o marido.
Algumas
cenas do filme entraram para a história do cinema. Como a do afogamento do
irmão deficiente no lago, impressionante até hoje. E a cena da queda de Ellen
na escada, homenageada por Gilberto Braga, um dos fãs do filme, na novela Vale
Tudo, com Glória Pires protagonizando a sequência.
Reconhecemos
no comportamento de Ellen aquela irracionalidade feminina que atormenta os
maridos, que nós, homens, somos incapazes de compreender. Mas essa garota
virava o fio. Sua capacidade de alopração ia muito além da expectativa de Dick
e da nossa como plateia. E Gene Tierney arrasa como femme fatale, enlouquecendo
a todos nós, seja por sua beleza e sedução diabólicas, seja pelas linhas que
ultrapassa como anjo do inferno em momentos de puro terror, que nem a morte
pode evitar.
Amar
Foi Minha Ruína é um excelente filme. Desenvolve um estudo sobre uma mente
perturbada, tomada pelo ciúme e amor doentios, destruindo todos a sua volta e
criando uma das vilãs mais malévolas do cinema. Como testemunhou Dick sob
interrogatório no tribunal, quando tudo parecia estar perdido: "Ellen era capaz de tudo".
quinta-feira, 14 de janeiro de 2016
MULHERES DIABÓLICAS
(“O maior problema deles é saber a cor do carro que vão comprar ou não deixar o primo roubar metade da herança da avó.”)
Nestes tempos de polarização, direita
versus esquerda, ricos versus pobres, neoliberais versus socialistas, um brilhante filme sobre a luta de classes merece
ser lembrado.
MULHERES
DIABÓLICAS (La Cérémonie), de 1995. Com Isabelle
Huppert, Sandrine Bonnaire e Jacqueline Bisset. Do genial diretor
francês Claude Chabrol. Releitura do
romance A Judgement in Stone, de Ruth Rendell, uma das damas da literatura
policial inglesa.
Admirador de Hitchcock, Chabrol, falecido
em 2010, foi um dos expoentes da Nouvelle Vague. Com uma produção bastante
prolífica, principalmente no gênero suspense, os filmes do diretor francês são
sempre interessantes. Esse Mulheres Diabólicas é o preferido em minha casa e é
considerado um dos melhores de Chabrol.
Destaque para as interpretações do quarteto
central: Isabelle Huppert, com grande atuação, premiada com o César e em Veneza,
Sandrine Bonnaire, prêmio em Veneza, Jacqueline Bisset e Jean-Pierre Cassel.
Temos dois blocos de personagens bem
definidos: os ricos e os pobres. Os matizes que desenvolvem suas personalidades
são um dos pontos altos do filme.
Os ricos são representados pela família de
um bem-sucedido industrial, Georges Lelièvre (Jean-Pierre Cassel), que mora
numa mansão no interior da França. Sua esposa, Catherine (Jacqueline Bisset, a
beleza e charme da riqueza), possui uma galeria de arte na cidade. Dois
adolescentes completam o núcleo familiar. Melinda (Virginie Ledoyen), mais
velha, é filha de Georges, e Gilles (Valentin Merlet), o rapaz, é filho de
Catherine. Os Lelièvre possuem cultura refinada mas ao mesmo tempo são simples
e não arrogantes. Típica burguesia francesa sem afetações.
Os pobres, principais protagonistas do
filme, são duas amigas, Sophie (Sandrine Bonnaire) e Jeanne (Isabelle Huppert).
Sophie é contratada como empregada doméstica por Catherine. Não revela que
sofre de dislexia, o que acaba lhe causando problemas, assiste TV numa espécie
de torpor como um mecanismo de fuga da realidade e esconde um passado obscuro.
Jeanne trabalha no correio da cidade e faz amizade com Sophie. Ao contrário
desta, é extrovertida, impulsiva, bisbilhoteira e insolente. Também possui um
passado traumático e suspeito.
Sophie foi bem recebida pelos patrões. São
generosos e amáveis. Ela, por sua vez, é calada e monossilábica. Em nenhum
momento retribui a simpatia que lhe dirigem. Como se sua condição social lhe
impedisse de simpatizar com aqueles que lhe pagam e não passam por
dificuldades. Para ela tudo parece ser difícil, não consegue ler a lista de
compras (por ser analfabeta), evita o patrão ao telefone pelo mesmo motivo, e
mais os problemas graves do seu passado.
Aproxima-se naturalmente de Jeanne, a
funcionária do correio, a única companhia com quem consegue sorrir e demonstrar
uma tímida alegria. Identificam-se pela posição social, por uma vida difícil,
com traumas não resolvidos, ao contrário dos Lelièvre, que são tranquilos e
para quem a vida parece bem mais fácil por conta de sua classe social
privilegiada.
As diferenças entre o mundo de Sophie e de
Jeanne e o mundo dos Lelièvre são sempre bem nítidas, frequentemente colocadas
em contraste. Desde uma das primeiras cenas, onde Catherine mostra para Sophie
o quarto simples, com uma pequena TV, onde ficará acomodada, e depois apresenta
o luxo e espaço dos quartos da família, salas e biblioteca e sua moderna e enorme
TV.
Catherine comporta-se como alguém que quer segurar
a serviçal a qualquer custo, sempre minimizando suas limitações, até um momento
em que não poderá mais desculpá-la. Logo após contratá-la, inclusive comenta no
jantar sobre sua satisfação tanto com o serviço da empregada como também a
possibilidade de distância: "Estou
aliviada. Minha vida ficou mais fácil. Não faço nada e nem preciso falar com
ela."
Ao longo da narrativa, Chabrol explicita o
caráter de luta de classes do filme, bem como compõe o aumento gradativo do clima
tenso entre os personagens e a revolta crescente entre as duas amigas trabalhadoras, criando
um clima de suspense que faz jus à sua fama de mestre do gênero.
Jeanne convida Sophie para participar de um
grupo beneficente da igreja que distribui donativos para os pobres. Deixando
claro de que lado estão, não demoram para se rebelar contra os doadores
miseráveis que querem desovar seus trastes e alimentos vencidos nos necessitados
e são expulsas do grupo pelo padre.
Georges Lelièvre, industrial, explora
também o ramo das sardinhas. Num momento bem-humorado do filme, Jeanne flagra
os Lelièvre agindo, em outra escala, tal qual o pessoal dos donativos. Ao
bisbilhotar a lista de compras de Sophie encomendada pelos patrões, repara que
a marca da lata de sardinhas não é a mesma que produzem. "Sardinha? Mas eles fabricam. Vai ver é melhor que a deles!", diverte-se
com a desova nos consumidores do produto de qualidade duvidosa.
Georges desconfia que Jeanne viola as
correspondências que lhes são enviadas. Irritado, ao reclamar discute com a
própria no correio. Mais tarde Jeanne desabafa com Sophie: "Eles são patéticos. Bancam os gentis, mas também, têm tudo. O maior
problema deles é saber a cor do carro que vão comprar ou não deixar o primo
roubar metade da herança da avó."
Noutro momento, perto do confronto que
acontecerá, Sophie revela a Jeanne a conversa que ouviu pela extensão
telefônica sobre a gravidez indesejada de Melinda e suas confidências com o
namorado sobre um possível aborto. "Para
eles não é um problema. Ficar ou tirar não é problema", comenta Jeanne. "Fiquei grávida, abandonada, sem ninguém pra
me consolar, nem pra me dizer o que fazer ou aonde ir caso quisesse abortar." O
desdobramento desse episódio evolui para um conflito entre Sophie e Melinda e a
empregada acaba demitida pelos patrões.
Pelas privações e dramas pessoais que
sempre encontraram na vida, um possível passado criminoso por parte de cada uma
das amigas ("Não puderam provar!", repetia Sophie) não está fora de contexto. Além disso, certo fator psicótico se faz necessário para provocar a coragem espontânea do
radicalismo de suas ações.
La Cérémonie (A Cerimônia) é uma
expressão em francês que significa o desenrolar de acontecimentos que levam à
morte na guilhotina. Chabrol costura a tensão que se desenvolve entre os ricos
e os pobres para levar sua trama a um final que alude ao próprio título do
filme. Um clímax que viria inclusive a ser uma das influências de Match
Point, de Woody Allen, numa cena similar de grande impacto.
Não se tratava de uma questão pessoal. Os
ricos eram boas pessoas, melhores que as garotas proletárias, mas o desfecho
surpreendente e violento, tão macabro quanto poético, foi apenas a manifestação
inevitável das contradições de classes explodindo numa fúria incontrolada e
vingadora. Aconteceu o que estava fadado a acontecer, o que Chabrol nos
insinuou durante todo seu grande filme, deixando claro que não havia espaço
para conciliação. Apenas para a revolução.
Como comentava o próprio Claude Chabrol: "La Cérémonie" é o último filme marxista.
sexta-feira, 25 de dezembro de 2015
EASY RIDER
(“Nunca diga a alguém que ele não é livre porque ele vai matar para provar que é.”)

Há
alguns milhares de anos perdemos algo chamado inocência...desde então sentimos
medo dela.
1973.
Porto Alegre. Colégio Anchieta. Aula de Filosofia do Prof. João. Uma garotada
na faixa dos quinze anos é levada para o auditório do colégio para uma sessão
de cinema. Só que, para não aloprar com a gurizada, nos apresentaram um filme
editado, sem as sequências iniciais de sexo, drogas e rock'n’roll, indispensáveis
para se entender toda a estória. Me lembro, de qualquer jeito, que ficamos
muito impressionados. Aliás, aquelas aulas de filosofia sempre nos
impressionavam. Tudo era uma grande revelação. Consumismo, sistema,
massificação, alienação eram termos citados para nós pela primeira vez e
traziam uma grande carga de impacto. Assim como o filme incompleto que nos
apresentaram. Mesmo pirralhos, sem saber nada da vida, sentíamos que alguma
coisa forte e significativa estava acontecendo na tela e na vida real. O filme?
SEM DESTINO (Easy Rider), de 1969. Produzido por Peter Fonda. Dirigido por
Dennis Hopper. Roteiro de Fonda, Hopper e Terry Southern. Com Peter Fonda,
Dennis Hopper e Jack Nicholson. Clássico maior da contracultura. O legado de Fonda
e Hopper para o cinema e para a cultura contemporânea.
Uma
viagem transgressora pelo coração da América conservadora e ao mesmo tempo em
discussão com um sistema alternativo de valores. O mais emblemático dos road
movies. Peter Fonda e Dennis Hopper, depois com Jack Nicholson, a bordo de duas
Harley-Davidsons, embalados pela trilha sonora de Jimi Hendrix, Steppenwolf e
The Band, entre outros, singrando o asfalto e deparando-se com toda a sorte de
tipos. Um painel comovente e enérgico de uma época que questionava e batia de frente
com uma sociedade enraizada em seus valores putrefatos.
As
máquinas também são personagens principais. Em O Selvagem, com Marlon Brando,
as motos eram um símbolo de rebeldia. Em Easy Rider, além de rebeldia, são
principalmente um símbolo de liberdade.
Peter
Fonda livra-se do relógio e junto com Dennis Hopper caem na estrada.
Conseguiram dinheiro para sua aventura através de uma operação simples de venda
de droga. Fonda é Wyatt ou Capitão América, pelas cores da bandeira americana
na moto, jaqueta e capacete, também alusão ao personagem dos comics representativo do espírito
americano. Hopper é Billy. Wyatt é pensativo e Billy é a transgressão espontânea, inata.
São
dois cowboys num western sobre rodas, como sugere a paisagem do Monument
Valley, palco glorioso dos filmes de John Wayne e John Ford, e o encontro com
os primeiros personagens que cruzam seu caminho, no início da jornada até o
Mardi Gras, em New Orleans, e além: uma simpática família de fazendeiros, que
ao mesmo tempo em que consertam a ferradura de um cavalo, os motoqueiros estão reparando
a roda de uma das motos. Peter Fonda comenta com o chefe da família, na mesa do
almoço: "Sua fazenda é legal. Nem todos
podem viver da terra. Você trabalha no que é seu, quando quer. Deveria se
orgulhar."
Depois,
seguindo viagem, dão carona a um hippie. Óculos de aro fino, bandana na cabeça,
bigode comprido, roupas características. Intelectual hippie. À noite, Billy
pergunta de onde ele é. O cara responde: "De
uma cidade. Não importa qual, são todas iguais. Por isso estou aqui. Longe
daquela cidade, e é onde quero estar." Acabam numa comunidade alternativa
onde as pessoas plantam para comer. Quase uma aldeia indígena. Curtem a
comunidade, as garotas, mas ainda são estranhos. "Este poderia ser o lugar certo, mas seu tempo está acabando", fala
para Wyatt o amigo hippie, líder do grupo, praticamente um sacerdote da tribo.
Que ainda lhe entrega um presente, um pequeno pacote: "Quando estiver no lugar certo, com as pessoas certas, repartam isto".
A
próxima parada dos cowboys, forasteiros que provocam a desconfiança dos
nativos, é a cadeia de uma pequena cidade, onde são presos por “desfilar sem
permissão” (estavam apenas seguindo a apresentação da bandinha da cidade) e
onde conhecem George Hanson (Jack Nicholson), preso contumaz por embriaguez.
Advogado que já trabalhou com a União Americana das Liberdades Civis e que
simpatiza com a dupla. Consegue-lhes a liberdade por uma pequena fiança e
resolve acompanhá-los de carona até New Orleans, usando um ridículo capacete de
futebol americano.
Numa
das primeiras cenas do filme, a dupla de motoqueiros não conseguiu pousada num
motel de beira de estrada porque o gerente assustou-se com a aparência deles,
esses cabeludos perigosos. Desde então passaram a dormir ao relento, no mato,
em volta de uma pequena fogueira, como verdadeiros cowboys. Os diálogos que
travam nessas noites, entre uma marijuana e outra, são um dos pontos altos do
filme. Principalmente entre George e Billy. Como quando, “chapados”, conversam
sobre OVNIs.
George
discursa: "Eles são pessoas como nós, do
nosso sistema solar. Só que a sociedade deles é mais evoluída. Não tem guerras,
não tem um sistema monetário nem líderes, porque cada homem é um líder. Com a
tecnologia que têm, eles podem se alimentar, se vestir, morar e se transportar
com igualdade e sem esforço."
Ele
continua, após Billy objetar como quem não está entendendo nada: "Nossos líderes decidiram acobertar as
informações que seriam um choque tremendo para nosso sistema antiquado. Os
venusianos encontram gente de todas as classes sociais e fazem o papel de
conselheiros. Pela primeira vez, o homem terá um controle divino sobre o seu
próprio destino. Ele terá a oportunidade de transcender e evoluir com alguma
igualdade para todos." George para de falar, sorrindo, olhar vago para
Wyatt. O baseado apagado e a cara de quem acaba de aterrissar do espaço
sideral.
Em
outro momento, nessas conversas iluminadas por uma fogueira, George, mais
sério, explica certas coisas para Billy. Este se queixa das hostilidades, pois
recém tinham sido praticamente corridos de uma lanchonete da cidadezinha por
onde passavam, embora tenham atraído a atenção das meninas:
-
Todos viraram covardes, é isso. Nós nem pudemos ficar num hotel de segunda,
aliás, um motel de segunda! O cara achou que a gente fosse matá-lo. Eles têm
medo.
-
Não têm medo de vocês, mas do que vocês representam – responde George.
-
Cara, pra eles só representamos alguém que devia cortar o cabelo.
-
Não. Para eles vocês representam a liberdade.
-
E qual o problema? Liberdade é legal!
-
É verdade, é legal mesmo, mas falar dela e vivê-la são duas coisas diferentes.
É difícil ser livre quando se é comprado e vendido no mercado.
George
continua:
-
Mas nunca diga a alguém que ele não é livre porque ele vai tratar de matar e
aleijar para provar que é. Eles falam sem parar de liberdade individual mas,
quando veem um indivíduo livre, ficam com medo.
-
Eu não boto ninguém pra correr de medo.
-
Não. Você é que corre perigo.
George
será a primeira vítima do reacionarismo e do medo.
Chegam
a New Orleans apenas Wyatt e Billy. Por insistência deste último dirigem-se ao
bordel indicado por George, como uma deferência ao amigo. Fazem amizade com
duas garotas, Karen e Mary, e misturam-se os quatro com a população no Mardi Gras.
Divertem-se
na festa da cidade e depois vão passear no cemitério. Lá, num cenário gótico,
entre túmulos e mausoléus, como se fosse uma cerimônia religiosa, Wyatt reparte
o presente que havia ganho do hippie. “...no
lugar certo, com as pessoas certas...” Tomam as pílulas e embarcam numa
“viagem” mística, catártica, entre orações, lamentos, visões fugazes e sexo. Como tragados por um redemoinho de
sensações que transcende os espíritos, corpos e ancestrais.
É
nessa experiência que Wyatt parece ter uma revelação enigmática, de sentido
ambíguo, contraditório (sobre eles ou sua geração), que dividirá à noite com um
surpreso Billy, que se vangloriava do dinheiro que tinham conseguido como se
isso significasse ser livre, os dois conversando ao relento: “You know, Billy? Nós estragamos tudo.”
Quando
a jornada dos dois parceiros é interrompida bruscamente, Billy agonizante
ameaçando os agressores fugitivos que em seguida dão meia-volta (“Vou pegá-los! Estamos prontos!” como se
essas últimas palavras orgulhosas, ele estirado no chão, representassem os
novos ventos), a emblemática cena da moto de Wyatt, símbolo da liberdade e da
bandeira americana, atingida por um tiro de espingarda e em chamas, é o desfecho
violento de um grande filme.
Mataram
a liberdade. O Sistema versus a Contracultura.
Mas
a Contracultura sobreviveu.
Muitas
conquistas daqueles anos 60 e 70 foram incorporadas ao nosso comportamento. Até
mesmo a aula de filosofia que citei no início da postagem estava dentro desse
contexto. Não se pode dizer que o movimento tenha sido derrotado. Trouxe
contribuições que permanecem até hoje, inclusive à custa de sacrifícios, como
testemunha a cena final de Easy Rider. Mas aqueles sonhos de vida em uma
sociedade livre, plena e solidária continuam muito distantes. A jornada sem
destino dos cavaleiros do asfalto ainda tem um longo caminho pela frente.
sábado, 21 de novembro de 2015
AS AVENTURAS DE ROBIN HOOD
(“Estranho? Por eu ter compaixão pelos desamparados?”)
(“Não. É estranho por querer fazer algo a respeito.”)
AS AVENTURAS DE ROBIN HOOD, de 1938, com Errol Flynn e Olivia de Havilland, do
mesmo diretor de Casablanca, Michael Curtiz, traz aspectos muito interessantes.
Como a questão da tributação. No tempo de Robin Hood, na Idade Média, o povo sofria com impostos exorbitantes, chegava a passar fome, era maltratado e explorado. Robin Hood tirava dos ricos para dar aos pobres. Já nos dias de hoje, em nossos estados capitalistas contemporâneos, com a concentração de renda cada vez maior, muitas vezes temos a impressão que a tributação tira dos pobres para dar aos ricos (onde está o imposto progressivo sobre o capital?). Vivemos numa sociedade global cujos índices de concentração da riqueza aproximam-se cada vez mais de padrões antigos e medievais. Qualquer semelhança dos dias de hoje com a época de nosso herói parece não ser mera coincidência.
Outro aspecto é a luta contra a desigualdade e opressão. A mitologia de Robin Hood nasceu de antigas lendas reproduzidas oralmente. Em todas existe uma recorrência sobre a dupla faceta do personagem, ambas retratadas no filme: o justiceiro social que redistribuía a renda à margem da lei e o revolucionário empenhado em restabelecer a legitimidade do poder. Robin e seu bando lutavam para que o monarca justo e legítimo, Ricardo Coração de Leão, preso no exterior, recuperasse o trono usurpado pelo seu irmão, o tirano Príncipe João.
É esta versão para o cinema de 1938, baseada no fundamental das lendas antigas e criando sobre esse fundo, que praticamente definiu e fixou os paradigmas e referências que passaram a ser utilizados em quase todas as inúmeras versões que o cinema e a TV produziram sobre o personagem: a cena inicial da caçada ilegal, a luta com João Pequeno e o encontro com Frei Tuck, a destreza do herói com o arco e flecha, a emboscada disfarçada de torneio para arqueiros, o plano para salvar Robin, o romance com Lady Marian, o figurino colorido e o ritmo de aventura, principalmente, marcando a alta voltagem do entretenimento.
Até
mesmo a trilogia original de Star Wars recebeu influências desse clássico. O
ataque do bando de Robin às tropas do vilão Sir Guy de Gisbourne, na floresta
de Sherwood, e o duelo final de espadas entre o herói e o mesmo Sir Guy
encontram similitudes no ataque dos Ewoks aos Stormtroopers, em O Retorno do
Jedi, e no duelo final de sabres de luz entre Darth Vader e Luke
Skywalker.
Apesar de ser um filme sem os efeitos especiais de hoje, com outra estética, As Aventuras de Robin Hood ainda é um divertimento muito legal. Uma das maiores lendas sobre ideários de justiça, o herói fora da lei está muito bem representado nesse belo exemplar dos clássicos de aventura, com aquele sabor juvenil que quase não encontramos mais.
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